A Renaissance Tour, de Beyoncé, voltou aos holofotes após novas revelações da Rolling Stone sobre o esquema de revenda ilegal de ingressos envolvendo a Live Nation e a Ticketmaster. Segundo a revista, mais de 9 mil ingressos de um único show da turnê foram comprados de forma fraudulenta, em um esquema que contava com milhares de contas falsas e intermediários ligados a corretores de ingressos (scalpers).
A denúncia faz parte de uma ação movida pela Federal Trade Commission (FTC) dos Estados Unidos, em parceria com sete estados, contra a gigante do entretenimento. A acusação aponta três práticas ilegais que teriam lesado artistas e fãs: esconder taxas reais até o momento do pagamento, permitir que brokers ultrapassassem o limite máximo de ingressos por comprador e, a mais grave, facilitar a compra em massa por meio de softwares internos, como o TradeDesk.
Segundo o processo, um dos brokers teria utilizado 1.075 contas diferentes para adquirir os 9 mil ingressos de uma única noite da Renaissance Tour. Parte desses tíquetes foi revendida na própria plataforma da Ticketmaster, com valores superfaturados. O mesmo operador teria comprado mais de 8,5 mil ingressos para um show de Travis Scott em 2024.
Essas práticas se tornam ainda mais delicadas diante da ligação da Live Nation com Jay-Z, marido de Beyoncé. O rapper tem uma parceria de longa data com a empresa: em 2008, assinou um contrato de 10 anos no valor de US$ 150 milhões, que incluía três álbuns e a criação da Roc Nation, empresa de entretenimento de serviço completo. Em 2017, o acordo foi renovado por mais 10 anos, dessa vez por US$ 200 milhões, com foco na produção e promoção de turnês mundiais.
📢 Conheça o nosso podcast: "Se Flopar é Indie"!
Para os reguladores, a prática configuraria uma “tríplice cobrança” para a empresa: primeiro na venda inicial, depois na revenda feita pelos brokers dentro da própria Ticketmaster e, por fim, na compra final pelo consumidor. Isso resultaria em centenas de milhões de dólares em lucro extra às custas dos fãs.
A acusação reforça críticas antigas de artistas, público e produtores independentes contra o monopólio da Live Nation-Ticketmaster. “Isso não é apenas má prática de negócios; é abuso de poder de mercado. A empresa age como promotora, vendedora primária, gerente de artistas e ainda como cambista”, afirmou Stephen Parker, diretor da National Independent Venue Association.
A Live Nation ainda não comentou publicamente as novas acusações. O processo se soma a uma já existente ação antitruste movida pelo Departamento de Justiça dos EUA em 2024, que acusa a empresa de práticas monopolistas no setor de shows.
Enquanto isso, o impacto recai sobre os fãs, que seguem enfrentando preços inflacionados e dificuldade em acessar ingressos a valores justos.